Como comentamos em nosso último encontro (sábado, 19.11.11), apresentamos a seguir uma animação de referência para orientá-los nos exercícios de construção de perspectivas exatas. Lembrem-se de que este método deve apenas ser usado para exercitar a mão e o cérebro, a fim de que consigamos elaborar perspectivas à mão-livre sem a necessidade de adotá-lo.
Referência para elaboração de perspectivas de 1 ponto de fuga
Neste exemplo adotaremos um objeto simples: uma “casinha” com telhado de duas águas (caracaterizada por um paralelepípedo de 4,00×4,00×3,00m e um telhado de base 4,00×4,00m e altura de 1,00m). Chamamos de “água” cada um dos caimentos de um telhado. O observador está situado de tal modo, em relação ao plano de quadro que escolhemos, que o resultado será uma perspectiva de um ponto de fuga (também chamada “perspectiva central”). A altura do observador é de 1,50m.
Na imagem abaixo o objeto está descrito em sua vista superior, em sua vista frontal e em sua vista lateral esquerda. Apresentamos também uma perspectiva isométrica de referência.

Vistas ortográficas e perspectiva isométrica
Passo-a-passo
O processo de construção da perspectiva cônica de um ponto de fuga do objeto representado acima segue na seguinte animação.

Passo 1. Posicionamos no campo superior de uma folha a vista superior de nosso objeto e do observador (cuja posição nós escolhemos). Reservamos o campo inferior da folha ao desenho da futura perspectiva. Você também pode pregar duas folhas na mesa para posteriormente descartar aquela em que está desenhada a vista superior.
Passo 2. Para construirmos a perspectiva são necessários três elementos: um objeto, um observador e um anteparo no qual aquele será projetado (“plano do quadro” — PQ). Em nosso exemplo, posicionaremos o PQ atrás do objeto — como vimos em nosso último encontro, esta operação permitirá que a perspectiva se amplie a partir da projeção da casinha, ao invés de se reduzir. O PQ, no entanto, pode ser posicionado em qualquer outro ponto. Neste exemplo, aproveitamos ainda para encostar o PQ em uma das faces da casinha: deste modo, aproveitamos que esta face será desenhada em verdadeira grandeza.
Ainda antes de começarmos a perspectiva, definimos no campo inferior da folha a Linha de Terra (LT) e a Linha do Horizonte (LH). Lembrem-se que a altura da linha do horizonte é igual à altura dos olhos do observador. Em nosso caso, consideramos que esta altura apresenta 1,50m.
Passo 3. Para construir a perspectiva, será necessário encontrarmos a posição do Ponto de Fuga (PF). Para isto, precisamos projetar o observador no Plano do Quadro por meio de uma reta projetante que seja paralela às faces que pretendemos representar. Em nosso caso, esta reta é perpendicular ao PQ: traçamos assim uma reta ortogonal ao PQ a partir do ponto em que se encontra o observador. Com isto, transformamos o ponto que encontramos no PQ para a LH. Este é nosso Ponto de Fuga.
Passo 4. Precisamos agora encontrar a posição de cada uma das arestas de nosso objeto como projetadas no PQ. Para isto, traçamos retas que passem pelo observador e pelos pontos que nos interessam da vista superior do objeto — no caso, interessam-nos os vértices dos retângulos que representam a casinha.
Passo 5. Cada um dos pontos que encontramos no PQ no passo anterior são transportados para o campo inferior de nossa folha.
Passo 6. Temos as posições das linhas verticais de nossa perspectiva. Precisamos agora encontrar as linhas horizontais. Para isto, precisamos de alguma referência que esteja em verdadeira grandeza (VG) no Plano do Quadro. Por termos encostado a face posterior da casinha no PQ, podemos representá-la em vista frontal em nosso desenho, pois a projeção dela na perspectiva é igual à sua vista frontal por se encontrar exatamente na mesma posição do PQ. Em outras palavras: as dimensões da casinha podem ser diretamente aplicadas, por meio de uma régua, por exemplo, ao desenho.
Passo 7. Para cada um dos pontos da face posterior que acabamos de desenhar no passo 6, traçamos uma reta partindo do PF e cruzando com cada uma das verticais que encontramos no passo 5.
Passo 8. A partir do cruzamento das retas do passo 5 com as retas do passo 7, traçamos as respectivas linhas horizontais representadas em perspectiva (convergindo para o ponto de fuga).
Passo 9. Limpamos o desenho e obtemos a perspectiva final.

Resultado